Gestão

Como a necessidade de ter uma indústria sem chaminés criou um polo tecnológico no Brasil

Por ser uma Ilha, Florianópolis não investe em indústrias tradicionais por conta da poluição ambiental

 

 

Uma das principais atividades econômicas de Santa Catarina é baseada em uma indústria sem chaminés: a de tecnologia da informação. Por ser uma Ilha, Florianópolis não investe em indústrias tradicionais por conta da poluição ambiental. As empresas de software surgiram para a cidade conseguir se destacar e gerar empregos em outras áreas, além do turismo e do funcionalismo público. A principal matéria prima do setor é o capital intelectual. “O setor tecnológico sempre está em busca de talentos, uma vez que continua a crescer por resolver problemas de todos os setores tradicionais da economia. O capital intelectual é a parte mais importante para o desenvolvimento das nossas soluções”, segundo Daniel Leipnitz, presidente da Associação Catarinense de Tecnologia- Acate.

O segmento se consolida como uma indústria livre de fumaça, por investir maciçamente em iniciativas sustentáveis

De acordo com dados do Observatório da Acate divulgados em 2018, existem 12.365 empresas da área de tecnologia em funcionamento no Estado, representando um faturamento de R$ 15,53 bilhões. Florianópolis está entre as cidades que mais se destacam na área: o setor de tecnologia representa 41,4% do faturamento. O segmento se consolida como uma indústria livre de fumaça, por investir maciçamente em iniciativas sustentáveis. Conheça iniciativas de empresas catarinenses que tornam o setor ainda mais sustentável com relação ao meio ambiente.

Construção verde — A matriz da Dígitro Tecnologia, empresa com sede em Florianópolis que atua há mais de 40 anos desenvolvendo soluções de inteligência e comunicação, foi construída baseada no conceito de Green Building. Entre os diferenciais do prédio, estão o uso de células fotovoltaicas que convertem energia solar em elétrica; aquecimento da água dos chuveiros e torneiras proveniente de painéis de aquecimento solar; vidros insulados que retêm 70% do calor, diminuindo o consumo de energia do sistema de ar-condicionado; cobertura adicional do telhado, com a função de ventilação e menor transmissão de calor; e captação e armazenamento de água da chuva para fins não-potáveis. Além de encaminhar para reciclagem parte dos resíduos sólidos de sua sede, a empresa dispõe de contêineres específicos para receber materiais descartados pelos seus colaboradores, tais como lâmpadas fluorescentes, eletroeletrônicos, pilhas, baterias e óleo de cozinha. Por essas ações, a empresa recebeu o Prêmio Expressão Ecologia na categoria Construção Sustentável, edição 2012, considerado pelo Ministério do Meio Ambiente como a maior premiação ambiental do Sul do Brasil. Em 2013, a Dígitro foi novamente contemplada, desta vez na categoria “Conservação de Insumos de Produção – Energia”, em razão do seu Programa de Eficiência Energética.

Sem copos plásticos — Os principais produtos oferecidos pela HostGator estão longe daqueles que estamos acostumados a ver saindo das fábricas. Não há carros produzidos ou alimentos embalados. A empresa é uma das principais provedoras de hospedagem de sites e outros serviços relacionados à presença online do mundo. Representada pela Endurance International Group, a HostGator atua em países como Brasil, Estados Unidos, México, Chile, Colômbia, Índia, China e Rússia. No Brasil, a empresa adota uma série de iniciativas para compensar, em alguma medida, os impactos ambientais do escritório em Florianópolis. Por exemplo, quando entram na empresa, os novos colaboradores recebem canecas. Os copos descartáveis foram eliminados em 2018. Nos primeiros seis meses de 2018, mais de 40 mil copos deixaram de ser utilizados. Também há um cuidado no uso consciente do ar condicionado e medidas de incentivo para aproveitamento da luz natural, o que também é favorecido pelo ambiente sem paredes e com amplas janelas de vidro. A empresa também prevê campanhas para promover um maior engajamento interno da equipe nas ações de preservação do meio ambiente.

Automatização de processos — Historicamente, a economia de Joinville é baseada em setores tradicionais da indústria e estes são os que mais agridem o meio ambiente. Há cinco anos, a cidade começou a voltar o seu olhar para uma indústria mais limpa, a da inovação. Empresas com base tecnológica foram criadas para melhorar processos e facilitar a vida das pessoas. Além de ser um modelo de negócio mais sustentável, as startups colaboram para tornar as empresas mais ecofriendly. A Asaas desenvolve um software que automatiza o processo de geração de boleto e de cobrança e assim substitui ações que antes eram feitas em papel e as leva para o mundo eletrônico. “A cobrança eletrônica é muito mais efetiva, uma vez que a possibilidade da pessoa não ver a notificação é reduzida. Além disso, ela ajuda a diminuir a quantidade de papel gasto nesse processo — que muitas vezes não é nem lido”, destaca Piero Contezini, CEO da Asaas.

Menos papel — Outra empresa que tem se preocupado em como as organizações podem diminuir o uso de papel em seus processos é a Softplan. Há 28 anos desenvolvendo soluções para gestão nas áreas de justiça, administração pública, indústria da construção e saúde, a companhia com sede em Florianópolis recentemente adquiriu a startup 1Doc, que desenvolveu uma plataforma 100% na nuvem, de fácil implantação e uso. A ferramenta integra os processos de comunicação interna, atendimento ao cidadão – ouvidoria e protocolo-  gestão de processos e documentos digitais. Como benefícios, gera maior economia com a redução de impressões, simplificando o relacionamento entre órgãos públicos e sociedade. Atualmente, mais de 3 milhões de pessoas são impactadas com o uso da tecnologia desenvolvida pela 1Doc. Mais de 11 milhões de documentos digitais são gerenciados na plataforma. Além disso, a Softplan oferta outras soluções nas outras três unidades de negócio que também prevêem menores impactos ao meio ambiente, sobretudo com a redução no uso do papel. Segundo um dos sócios-fundadores e diretor da unidade de Gestão Pública da Softplan, Moacir Marafon, a aquisição da startup “ampliará a nossa atuação no mercado, contemplando de pequenos a grandes órgãos públicos na resolução de problemas simples e complexos de transformação digital. A medida irá contribuir com a redução do uso do papel e otimizar processos, além de aumentar a eficiência e transparência.”

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