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TIL: o novo nome da inovação aberta

As mudanças propiciadas pela industrialização e a expansão da produção derivadas da linha de montagem de Henry Ford e da Administração Científica de Frederick Taylor transformaram as nações industrializadas, após a II Guerra Mundial, em sociedades de consumo de massa. No entanto, o consumidor não tinha voz ativa no processos de concepção, produção e consumo. Henry Ford costumava dizer que os americanos podiam comprar o Ford que quisessem, desde que fosse preto. Ou seja, consumíamos o que nos era ofertado.

Até a década de 90 e antes da chegada da internet, o modelo de inovação predominante era o dos laboratórios de P&D. As grandes corporações investiam na montagem de seus próprios ambientes de Pesquisa e Desenvolvimento. Xerox tinha o Xerox Parc, a Philips montou o NatLab, a IBM tinha seu centro de P&D, assim como a AT&T. De lá saíram coisas fantásticas, como a Ethernet, o m ouse, a interface gráfica, mas muitas vezes se perdia muito dinheiro com invenções sem conexão com o mercado. O usuário ainda era o último a ser consultado.

Na virada do século XXI, com a segunda onda da internet, conhecida como Web 2.0, os chats e as redes sociais dão voz, definitivamente, ao consumidor. De passivo, o consumidor passar a ser uma rede dinâmica. É quando surgem os conceitos de cocriação e os estúdios de design baseados no pensamento da Rotman School of Management. Ganha força também o “not invented here”, a inovação aberta (e com ela se inicia o desmantelamento dos grandes laboratórios de P&D). A inovação aberta é mais rápida, mais barata e menos arriscada. Sempre com foco no usuário, ganha escala.

Os designers passam a ser cobiçados em equipes de inovação, tornam-se regra. Mas o processo de criação de novos produtos e serviços ainda é basicamente linear, indo da concepção, especificação a testes, até o lançamento. Com a introdução do agile, o processo de inovação passou a ser iterativo, as etapas são mais curtas e validações com usuários tornam-se frequentes. Mas, quando o produto/serviço atinge o consumidor, ele é basicamente imutável.

A partir de 2010, com o boom das startups, o lean startup e com a entrada em cena da terceira onda da internet, a Internet of Things (IoT), tudo muda radicalmente, mais uma vez. Produtos ou serviços agora podem ser conectados, possibilitando o acompanhamento contínuo do produto enquanto em uso pelo consumidor. Esta conexão permanente (viabilizada pela IoT) permite não só que se aprenda como o produto está sendo utilizado, mas também torna possível atualizar o produto em pleno uso (algo como o que acontece com os nossos smartphones). Os produtos agora são “vivos”, podendo se transformar o tempo todo!

Além disso, os produtos se encarregam de pesquisar hábitos e preferências dos consumidores, sem que o consumidor sequer perceber que está sendo pesquisado: os sensores nos produtos fornecem dados continuamente para a atualização dos produtos ou construção de novos. Inaugurou-se a era onde produtos e serviços são na verdade plataformas mutantes, que são construídos ou acabados em tempo de uso. É a reinauguração do perpetual beta, só que agora para produtos físicos também.

Neste contexto, a inovação não pode mais ser entendida como a criação de artefatos e com um conjunto de atividades que se encerram em um lançamento, e sim como uma atividade continua e que inclui a construção de um modelo de negócios, que começa com segmentação de clientes (para quem aquele artefato é destinado, quem é que precisa daquele artefato), os canais de distribuição (como chega àquele determinado consumidor), o relacionamento (como manter aquele consumidor na base de clientes) e o modelo de receita (como capturar valor naquilo que se está entregando). Tudo isso sem descuidar das atividades chaves, dos recursos, dos custos e dos parceiros.

A inovação hoje se assemelha à construção de um novo negócio e as empresas tradicionais estão pouco preparadas para esta mudança. Seja por não possuírem os conhecimentos e profissionais necessários (como Cientistas da Computação, Cientistas de Dados, Especialistas em Segurança da Informação e Privacidade, entre outros), ou por não dominarem os métodos de criação de novos negócios como o Lean StartUp, ou mesmo por estarem muito ocupadas com os seus negócios convencionais.

Nesta era, as empresas tradicionais, para se manterem competitivas, precisam trabalhar lado a lado com parceiros em um novo arranjo de inovação aberta, em ambiente que permita agilidade, fazendo uso de métodos e processos que concedam autonomia e permitam aprendizado rápido. Empresas e parceiros necessitam de ambiente para experimentação, times de competências e responsabilidades transdisciplinares, e orientação e foco na busca da melhor solução para um desafio ou oportunidade específica.

Este ambiente deve ficar afastado das operações da empresa (para garantir que as atividades de inovação não sejam engolidas pelas demandas mais urgentes) e próximos às respostas do mercado. Além disso, este ambiente deve ficar dentro de um ecossistema digital, ou seja, espaços diferenciados, que já nasceram digitalmente transformados e possuem uma cultura inovadora de autonomia, inteligência colaborativa e agilidade para buscar respostas do mercado. E não estamos propondo que empresas grandes tentem resolver seus problemas com startups (esta experiência tem se mostrado ruim no mundo inteiro).

O Targeted Innovation Labs (TIL), do CESAR, aborda a inovação para empresa madura na perspectiva de criação de novas oportunidades de negócios. O TIL, a partir de uma missão e do alinhamento com as prioridades estratégicas da empresa, faz uso de cultura Agile, Lean Startup, e Design Thinking para criar um novo negócio. E o melhor, o TIL, por estar embarcado num dos melhores ecossistemas de inovação do Brasil, o Porto Digital, conta na partida com mais de 300 potenciais parceiros (empresas do ecossistema), e duas excelentes fontes de formação e pesquisa: a CESAR School e o Centro de Informática da UFPE.

Em resumo, Targeted Innovation Labs – TIL é o estágio mais avançado da inovação aberta. O TIL faz uso de conceitos de UX design, Agile e Lean Startups para, em ambientes autônomos e colaborativos, inovar na construção de negócios digitais e é a ferramenta das empresas maduras para a transformação digital de suas atividades.

Por Eduardo Peixoto, chief design officer do CESAR

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Eduardo Peixoto

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