Mercado

Com IA e IoT, InsurTechs atraem mais investimentos

Ecossistema de startups de seguro atinge mais de US$ 9 bilhões de investimentos acumulados entre 2010 e 2017

O mercado disruptivo está mudando o modelo tradicional de negócios de seguros, com foco no cliente e criando uma gama completa de competências digitais. Neste contexto, a tendência indica que as startups estão desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento de soluções que respondam às necessidades do setor.

Em 2016, as ofertas de negócios de companhias de seguros de saúde, automóveis e vida direcionaram seus investimentos principalmente em IoT ou Inteligência Artificial

Segundo o relatório InsurTech Outlook 2017, da everis, desde 2010, o investimento total nas InsurTechs acumula mais de US$ 9.2 bilhões. Somente em 2016, esse valor chegou a US$ 2.7 bilhões e espera-se que essa tendência continue.

O relatório analisa o panorama atual das InsurTechs e sua evolução nos últimos anos, bem como o papel das seguradoras, investidores e gigantes tecnológicos neste setor, ilustrando as tendências que estão redefinindo o mercado de seguros.

Além do aspecto quantitativo, também deve ser observado que o aumento do investimento nas últimas etapas dos fundos de financiamento revela que há maior interesse em modelos de negócios mais consolidados.

Cresce o investimento em Inteligência Artificial e Internet das Coisas

A partir de 2014, o setor apresentou um crescimento exponencial em startups com foco em soluções para IoT e Inteligência Artificial e, ao mesmo tempo, o investimento também se voltou para esse tipo de tecnologia, superando, inclusive, os valores direcionados a big data ou a plataformas sociais.

Em 2016, as ofertas de negócios de companhias de seguros de saúde, automóveis e vida direcionaram seus investimentos principalmente em IoT ou Inteligência Artificial, o que indica o interesse em enriquecer os perfis de comportamento do cliente e melhorar os modelos preditivos. Por outro lado, a linha de negócios doméstica continuou apostando em investimentos em startups baseadas em plataformas sociais, big data e tecnologias backend, o que poderia indicar uma busca de níveis mais altos de eficiência em políticas de preços e avaliações de riscos.

O papel do Google, Apple, Facebook, Amazon e Alibaba

Quanto aos gigantes tecnológicos, se no ano passado sua participação no mundo dos seguros estava prevista, hoje sua presença é mais do que clara. Google, Apple, Facebook, Amazon e Alibaba e os grandes players do setor de seguros estão atuando em parceria com startups disruptivas para transformar a cadeia de valor em todas as linhas de negócios.

No entanto, as GAFAAs, como são conhecidas, (abreviaturas das empresas Google, Apple, Facebook, Amazon e Alibaba) têm uma clara vantagem devido à sua capacidade de coleta e processamento, sua proximidade com os clientes, bem como suas apostas tecnológicas. Tudo isso lhes permite criar soluções nas linhas de saúde, residência, automotiva e, até mesmo, em cibersegurança.

Assim, o Google está fortalecendo sua capacidade nas indústrias automotiva e doméstica; a Apple está capitalizando seu ecossistema de dispositivos para centralizar dados e expandir-se para empresas de saúde, automóveis e casas conectadas; o Facebook está se tornando um canal de distribuição para seguradoras por meio do fornecimento de informações sobre consumidores; a Amazon, por sua vez, está trabalhando na coleta de dados por meio de dispositivos inteligentes nas residências; e o Alibaba tornou-se a primeira plataforma de vendas de seguros on-line do mundo, ao participar do lançamento da seguradora Zhong An e colaborar com outros líderes do mercado.

Os desafios do futuro

Nas palavras de Roberto Ciccone, sócio responsável pela área de Seguros da everis Americas, o papel do ecossistema da InsurTech no setor é indiscutível. “Os dados indicam que ele continua a atrair fundos de investidores e os principais atores confiam no conhecimento tecnológico de startups para criar modelos de negócios e produtos de seguros personalizados para seus clientes. Estamos em um momento em que as seguradoras devem dar um passo à frente para se manterem competitivas e tomar medidas destinadas a ser organizações híbridas abertas à inovação”.

E, como o relatório everis InsurTech Outlook 2017 ilustra, para se manterem competitivas, as seguradoras devem tornar-se organizações digitais avançadas, dependendo de novos modelos operacionais abertos à inovação e baseados em tecnologias exponenciais.

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