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Está chegando a vez do OpenStack

Puxado pelo crescimento da nuvem, padrão OpenStack tem adoção significativa, mas ainda muito pouco expressiva do ponto de vista das médias e pequenas empresas. Brasil tem a sexta maior comunidade mundial e há muita oportunidade para o canal atuar — e se destacar — nele
Está chegando a vez do OpenStack

A maior adoção da computação em nuvem está levando ao aumento da procura pelo OpenStack, software de código aberto, capaz de gerenciar os componentes de múltiplas infraestruturas virtualizadas e que ficou popularmente conhecido como sistema operacional da nuvem. Os projetos de uso da plataforma estão aumentando no Brasil, puxados pelo crescimento da nuvem.

Ter o conhecimento é chave na escalada para o OpenStack. Manter-se atualizado frente a uma plataforma que divulga novas versões constantemente é o principal desafio

De acordo com os resultados do estudo realizado pela Logicalis IT Brazil Snapshot, atualmente, 82% das organizações têm alguma aplicação em nuvem, porém, apenas 15% delas têm 75% ou mais do seu ambiente nesse modelo.

Apesar da alta taxa de adoção entre os respondentes da pesquisa, a maior parte (66%) ainda não tem nem 25% dos serviços em cloud — e a principal barreira para adoção continua sendo a tecnologia em si (40%), comprovando que ainda há gaps de entendimento sobre a nuvem.

Fabio Hashimoto, da Logicalis

Fábio Hashimoto, diretor de tecnologia da Logicalis Latin America, diz que OpenStack deve ser entendido como um sistema de gestão para computação em nuvem. “Se olhar o roadmap do OpenStack, percebe-se que o horizonte está se abrindo para ele se tornar um sistema de gestão e de automação para temáticas relacionadas à nuvem, que podem rodar em cima da nuvem. É diferente de quando começou quando era puramente um sistema de infraestrutura como serviço. Hoje, já se pode fazer o gerenciamento de big data, o que leva o OpenStack para camada de aplicações”, detalha.

Já Ricardo Bimbo, diretor comercial da SUSE Brasil, não gosta de classificar o OpenStack software ou sistema operacional para nuvem. “Ele nasce como estratégia mais visionária para ser um padrão para nuvem. É um projeto líder que o padrão no seu DNA desde início.”

Avanços na adoção

O estágio de adoção do OpenStack tem evoluído. Hashimoto diz que grandes empresas de datacenter e prestadores de serviços de nuvem estão, claro, mais adiantados. “Estamos vendo adesão maior agora por parte de operadoras, bancos e outras empresas que não são de tecnologia. Elas estão experimentando OpenStack para nuvens privadas e públicas”, conta. Mas acrescenta que a taxa de adesão na América Latina é ainda muito pequena quando comparada com índices de adoção de companhias dos Estados Unidos ou Europa.

Boris Kuszka, da RedHat

Bimbo, da SUSE Brasil, ressalta que de dois anos para cá houve uma mudança gradativa, com as empresas olhando para OpenStack com certa tranquilidade. “A adoção de OpenStack é significativa, mas ainda muito pouco expressiva do ponto de vista das médias e pequenas empresas”, aponta. Para ele, o OpenStack tem para infraestrutura da tecnologia da informação o mesmo impacto que Apache teve para adoção da Internet. A opinião é compartilhada por Boris Kuszka, diretor de arquitetura de solução da Red Hat.

O executivo diz que houve claramente uma busca pela tecnologia de dois anos para cá, puxada por empresas dos segmentos de telecomunicações e finanças. “Estamos vendo muita experimentação nas empresas de telco. Elas querem NFV para ter mais flexibilidade na infraestrutura de rede, tirando os appliances proprietários e colocando equipamento baseado em software e as a servisse”, aponta Kuszka, explicando que as telcos buscam facilidade para alterar funções de rede e, assim, conseguir oferecer novos serviços no mercado.

Hashimoto, da Logicalis, aposta que em nichos como o de NFV OpenStack vai ser padrão. “Quando se pensa em virtualizar as funções de rede, existem os equipamentos de rede rodando e máquinas virtuais (NFVi) que nada mais é que cloud — algumas pessoas usam o termo usado telco cloud, que, se olhar hoje a referência, é OpenStack”, diz. Ele acredita que as empresas não vão “jogar fora o legado”, mas, sim, direcionarão os investimentos para novas tecnologias.

Para se ter uma ideia do crescimento do OpenStack no Brasil, Marcelo Dieder, embaixador da comunidade OpenStack na América Latina, conta que, quando a comunidade em 2011, eram somente oito pessoas. Hoje são 1.800 membros no Brasil. Seu papel é disseminar o OpenStack na AL, ajudando grupo de usuários tanto de empresas como pessoas físicas que tenham interesse em conhecer mais sobre o projeto.

Marcelo Dieder, da comunidade OpenStack

A leitura de Dieder segue a mesma linha dos demais entrevistados. Ele diz que, em 2015, a comunidade fez uma avalição de que haveria crescimento nos próximos dois anos, o que de fato vem se mostrando verdadeiro. “Medimos a temperatura por oferta de empregos. Há dois anos, havia poucas oportunidades, mas agora há novas vagas todos os dias. De 2015 para 2017, a adoção em termos de interesse, temperatura de vaga, cresceu 300%”, diz, ressaltando que não se trata de um dado muito concreto, mas que demonstra o crescente interesse por OpenStack.

A comunidade fez um manual mundial que mostrou os três principais direcionadores para uso da plataforma. Mundialmente e na ordem foram custo, eficiência operacional e inovação. No Brasil, estes mesmos itens se destacaram, mas a ordem foi diferente: inovação, eficiência e depois custo. “Isto mostra que as empresas estão usando não apenas para baixar custo”, explica Dieder.

Um dos grandes desafios e barreiras de entrada para não apenas OpenStack, mas também NFV (Network Functions Virtualization) e SDN (Software Defined Networking) é a formação de mão de obra qualificada. As pessoas precisam se adaptar à nova realidade e conhecer o sistema, ter noção da plataforma e conhecer linguagem de programação e automação. “Existe um gap de formação que precisa ser cumprido”, atesta Fábio Hashimoto, da Logicalis.

Oportunidade para o canal  

Ainda em fase inicial de adoção, o mercado para OpenStack apresenta oportunidades para empresas atuarem — e se destacarem — nele. Fábio Hashimoto, da Logicalis, diz que poucas empresas hoje possuem a capacidade de unir novas ferramentas e processos, e que é ainda mais raro as que unem tecnologia tradicional e conhecimento das novas plataformas. Para ele, há muito espaço para crescer.

Atenta à oportunidade, a Logicalis adquiriu 51% da participação acionária na NubeliU, empresa especializada em projetos de computação em nuvem baseados em OpenStack. “Percebemos que, embora tenhamos contratado e capacitado gente em novas tecnologias entendemos, a NubeliU tinha um histórico de implementação e aportamos este know-how.”

Ter o conhecimento é chave na escalada para o OpenStack. Entre os desafios listados, manter-se atualizado frente a uma plataforma que divulga novas versões constantemente parece o mais sensível. “O OpenStack está agora na versão 11 na Red Hat e na comunidade na 15. A cada 6 meses sai uma versão nova”, diz Boris Kuszka, diretor de arquitetura de solução da Red Hat. Esta alta velocidade de atualização requer dinamismo e governança por parte dos integradores para acompanhar as inovações. No entanto, Kuszka ressalta que os módulos básicos estão maduros.

A Red Hat diz que tem fechado muitos negócios de OpenStack via canais e cita como fator de sucesso a especialização do integrador. A tendência atual é as empresas buscarem implantações todas baseadas em software, ficando assim o pequeno comerciante cada vez mais distante da necessidade de comprar servidor. “Ele vai comprar o projeto, o serviço; e é aí que entra a oportunidade para o canal, porque as empresas precisam de fornecedores que as apoiem na transformação. E um nicho de oportunidades serão criadas a partir daí”, ressalta Ricardo Bimbo, da SUSE Brasil.

Marcelo Dieder, embaixador da comunidade OpenStack, destaca que os canais precisam ter em mente que não se trata apenas de um software, mas de uma plataforma com vários componentes. “Para integradores, [investir nisto] é muito interessante, porque as empresas não vão conseguir implantar OpenStack sozinhas, porque ele não é commodity. Os canais conseguem explorar mais os serviços, aumentando a gama de portfólio que podem oferecer. É importante para eles, porque deixam de vender software e passam a vender serviços de implantação e manutenção da plataforma”, aponta Dieder.

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Comentários

  1. Rodrigo Soares

    Sensacional e ainda vamos crescer mais. Estou estudando montando lab e participando de alguns eventos no Brasil. Eu não conhecia a ferramenta hoje estou maravilhado com tudo que a mesma pode proporcionar para nos da área de TI. Estou a minha maneira evangelizando para que mais profissionais tenham o sistema OpenStack.
    Estamos todos juntos e pode ir mais além basta se ajudar por que juntos somos mais fortes.

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