Gestão

Micro e pequenas empresas podem ampliar suas atividades nos EUA através do visto L1

Antes de almejar a permanência no país, é preciso planejar como será a estrutura que dará suporte para a estada do gestor e de sua família

O rendimento em dólar é um grande atrativo para gestores e empresários. Por isso, boa parte das instituições que possuem estabilidade financeira visam ampliar seus negócios nos Estados Unidos.

“O ideal é fazer um plano de negócios para cinco anos, o que traz uma solidez muito bacana para um projeto como um todo”, Daniel Toledo

Para estes, o mais indicado é o visto L1 que contempla a transferência de um sócio, gerente ou administrador, que atuará na subsidiária americana. Daniel Toledo, advogado especialista em direito de imigração e diretor da Loyalty consultoria, explica que é fundamental que o solicitante exerça um cargo hierárquico e estratégico. “O ideal é, no mínimo, sete colaboradores. Pode ser secretária, assistente, supervisor ou um outro gerente”, destaca.

Empresas familiares também se encaixam no perfil do L1, desde que o solicitante seja um dos sócios e que tenha função administrativa. “Não importa qual o segmento de atuação, mas é preciso ter habilidade e competências para gerenciar uma equipe, aliadas à capacidade de gestão e implementação de novos”, recomenda Daniel.

Comprovar o faturamento também é um ponto importante neste processo. “As empresas no Brasil costumam enxugar os números, principalmente quando o assunto é declaração de imposto de renda. Então é comum alguns empresários apresentarem ganhos na casa dos R$ 10 mil e ainda possuírem sete colaboradores. Talvez o governo brasileiro possa acreditar neste cenário, mas o americano, não”, aponta o advogado.

Por esse motivo, o ideal é apresentar um valor a partir de $ 80 mil, que deve ser demonstrado através do imposto de renda, declaração do contador devidamente assinada e com firma reconhecida, além de folha de pagamento, balancete e extratos que comprovem a movimentação financeira. “A documentação será analisada pelo profissional que vai auxiliar o processo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”, afirma Toledo.

A empresa americana não precisa ter o mesmo objeto social da brasileira. “É possível abrir uma floricultura, pet shop, academia, desde que apresente o valor de 80 a 100 mil disponíveis em conta corrente para subsidiar a compra de equipamento, contratação de pessoas, mobiliário, afinal não se alcança um lucro exorbitante logo no primeiro mês, por isso é preciso ter uma reserva para pagar todas as despesas”, orienta o advogado.

Essa organização, que vai garantir o bom funcionamento e a lucratividade, deve estar no plano de negócios. “O ideal é provisionar para cinco anos, o que traz uma solidez muito bacana para um projeto como um todo”, aponta Daniel.

Vale lembrar que a empresa no Brasil deve ser manter ativa e com uma vida financeira saudável. Caso ocorra o fechamento ou falência, a solicitação do visto pode ficar comprometida.

Para que seja concedida a estada do empresário, é preciso que o negócio esteja funcionando com lucratividade, equilíbrio nas contas, para que possa manter o gestor e sua família. “O visto deve ser, sempre, consequência de uma iniciativa bem estruturada e sustentável”, avalia Daniel.

O advogado explica que o próximo passo é fazer a aplicação do visto. Antigamente, demorava menos. Hoje, em função do novo presidente e uma série de mudanças que ocorreram na análise processual, poderá levar mais tempo.

Após um ano da concessão do L1, é preciso fazer a prestação de contas para comprovar o que foi estipulado no plano de negócios. O índice de lucratividade pode variar ou até mesmo não atingir o valor esperado, o que é normal. Se os números não fugirem muito do que foi provisionado, o visto é renovado para mais dois anos.

Daniel reforça que muitas pessoas conseguem o green card a partir do L1. “Em um prazo de um ano e seis meses, é bem provável que o gestor tenha conquistado a solidez necessária para manter a empresa com toda a estrutura necessária e com um faturamento relevante. A partir deste cenário, a empresa brasileira não precisa mais existir”, conclui Toledo.

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